VERÃO DE UMA TARDE

14 Dezembro 2008

Verão de uma tarde
Outubro ou novembro
O mês não importa,
Setembro talvez,
O mar aos meus pés
O céu tão distante
Você tão presente,
Que importa tal mês…

Verão de uma tarde
Agora em passado,
Presente ainda,
No meu meditar,
Verão de uma tarde
Mas já tão distante
Apenas consolo
De o recordar.

Verão de uma tarde,
Repleto de beijos
Paixão tão profunda
Tão bom de sonhar…
Verão de uma tarde,
Que já se fez noite
Escura e eterna,
Não podes voltar.

Paulo Bezerra – ( 26/01/65)


O SEGUNDO DIA DE NOVEMBRO

10 Dezembro 2008

Embora sendo verão,
O segundo dia de novembro
Amanheceu nublado.
A natureza incorporou-se
À tristeza
Do dia de finados.

Bem cedinho,
Quando a aurora cinzenta,
Parecia ainda
Os derradeiros instantes
Do crepúsculo,
Uma jovem senhora, chorava.

No úmido chão do cemitério,
Duas depressões
Formadas
Pelos seus joelhos.

Ao seu lado,
Invisível embora
Linda criança
Chora também
De saudade.

Invisíveis lágrimas
Tocam
De leve
O coração
Da mulher que chora.

Inaudíveis palavras:
“Obrigada, mamãe”.