Quinta-feira – 12 de fevereiro de 2009 – Recife.
Choveu muito hoje pela madrugada e um pouco pela manhã. Serviu ao menos para amenizar o calor que já estava torrando o juízo das pessoas. Essa parte do ano aqui no Recife é como estar no Deserto do Saara. A água já sai quente (bastante esperta mesmo), dos canos e é quase impossível tomar um banho frio, a não ser noite alta. Durante todo o dia o sol esquenta as paredes e à noite elas estão emanando um calor insuportável. Só melhora no mês de Maio e passa então a fazer frio até agosto, mais ou menos. Estamos na semana ante pré carnavalesca e os jornais só falam na festa de momo. Já vive-se, já sente-se no ar, o carnaval. Os negócios, as consultas médicas, tudo é deixado para depois da folia. É marca registrada do povo brasileiro essa irresponsabilidade sadia, se é que pode existir um adjetivo depreciativo sadio. Como tenho feito nos últimos dez anos, pelo carnaval, vou viajar: da sala para o quarto, do quarto para o banheiro, deste para o computador, depois para a televisão e por aí vai. Não posso dizer que a solidão as vezes não me deprima, porque isso não sería verdade. Deprime sim. É muito triste assistir a um bom filme ou programa de televisão e não ter com quem conversar a respeito. Ouvir uma música e não ter a quem perguntar, não é divino ? Mas a gente não tem a vida que quer, mas a que pode ter. Nunca deixarei de citar o filósofo Ortega Y Gasset quando o mesmo diz : “…eu sou eu e a minha circunstância “. Nunca li frase mais importante do que esta na filosofia, porque ela é de uma felicidade extraordinária. Assim, levo a vida que as minhas circunstâncias permitem que eu viva, e agradeço todas as noites ao meu Deus, ter permitido que eu vivesse por mais um dia.
Paulo Bezerra.
Escrito por Paulo Bezerra