Os ventos de agosto são benfazejos.
Eles afastam as nuvens negras
Túmidas de tempestades
Que sobraram do inverno passado.
Os ventos de agosto são produtivos
Pois agitam as copas das mangueiras
Cheias de flores amarelas
Que ao balanço do seu sopro
Se transformarão em saborosos frutos….
Os ventos de agosto são alegres
Porque prenunciam o novo verão
Estação do sol que inexoravelmente
Sucederá à primavera…
Os ventos de agosto são confiáveis
Pois levam consigo a umidade
Que flagelou nossos ossos,
E cada lufada arranca um naco,
Da tristeza que ficou em nós
Durante a estação das chuvas.
Por isso amo.
Os ventos de agosto
Esse mês oito,
De transição e prova
De que o relógio de Deus
Sempre cuidará de nós.
(Afogados, agosto de 2010)
Escrito por Paulo Bezerra