Acho muita graça quando leio declaração do escritor português José Saramago dizendo-se ateu. Em primeiro lugar o ateu é apenas alguém que procura desesperadamente quem o negue, a fim de encontrar o que procura: Deus. Depois, quem é inteligente não pode acreditar nessas baboseiras de geração expontânea, Big Bang, sopa de bactérias e outras sandices. E Saramago é inteligente. Muito inteligente. Tão inteligente que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Não pode dizer-se ateu quem escreveu um livro como “O Evangelho segundo Jesus Cristo”. Nele, Saramago descreve um Jesus tão Divino, quanto humano, pois estava revestido da carne.
Os conflitos de quem nasce já com uma missão e tem de cumpri-la, mesmo carregando sua humanidade carnal que tem medo, que sofre fome, sede e frio, ele os descreve com maestria. Já os conflitos psicológicos do carpinteiro José e a sua crucificação que ele mesmo procurou têm uma carga emocional enorme. O Jesus descrito por ele tem todas as fraquesas humanas, menos o pecado. Quem tem a sensibilidade de escrever uma obra dessas, nunca poderá dizer-se ateu. Nenhum dos seus livros, chega a altura do “Evangelho…”, mas
“Ensaio sobre a cegueira” consegue chegar bem perto.
Paulo Bezerra – (26/12/2008)