18 dezembro 2009
(Mário Quintana)
“Aprenda a gostar de você,
a cuidar de você e, principalmente,
a gostar de quem também gosta de você.
A idade vai chegando e,
com o passar do tempo,
nossas prioridades na vida
vão mudando…
Mas uma coisa parece
estar sempre presente:
A busca pela felicidade
com o amor da sua vida…
Com o tempo, você vai percebendo que
para ser feliz com uma outra pessoa,
você precisa, em primeiro lugar,
não precisar dela.
Percebe também que
aquela pessoa de quem você gosta
(ou acha que gosta), e que
não quer nada com você,
definitivamente não é
a mulher (o homem) da sua vida.
Você aprende a gostar de você,
a cuidar de você e, principalmente,
a gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr
atrás das borboletas e sim
cuidar do jardim para que
elas venham até você.
No final das contas,
você vai achar não quem você
estava procurando,
mas quem estava
Procurando por você!!!!”
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Escrito por Paulo Bezerra
13 junho 2009
(Recebi este texto do meu primo Roberto Sérgio Cortez.
Como gostei demais, transcrevi para vocês).
Aí um dia você toma um avião para Paris, a lazer ou a trabalho, em um vôo da Air France, em que a comida e a bebida têm a obrigação de oferecer a melhor experiência gastronômica de bordo do mundo, e o avião mergulha para
a morte no meio do Oceano Atlântico. Sem que você perceba, ou possa fazer qualquer coisa a respeito, sua vida acabou. Numa bola de fogo ou nos 4 000 metros de água congelante abaixo de você naquele mar sem fim. Você que
tinha acabado de conseguir dormir na poltrona ou de colocar os fones de ouvido para assistir ao primeiro filme da noite ou de saborear uma segunda taça de vinho tinto com o cobertorzinho do avião sobre os joelhos. Talvez
você tenha tido tempo de ter a consciência do fim, de que tudo terminava ali. Talvez você nem tenha tido a chance de se dar conta disso. Fim.
Tudo que ia pela sua cabeça desaparece do mundo sem deixar vestígios. Como se jamais tivesse existido. Seus planos de trocar de emprego ou de expandir os negócios. Seu amor imenso pelos filhos e sua tremenda incapacidade de
expressar esse amor. Seu medo da velhice, suas preocupações em relação à aposentadoria. Sua insegurança em relação ao seu real talento, às chances de sobrevivência de suas competências nesse mundo que troca de regras a
cada seis meses. Seu receio de que sua mulher, de cuja afeição você depende mais do que imagina, um dia lhe deixe. Ou pior: que permaneça com você infeliz, tendo deixado de amá-lo. Seus sonhos de trocar de casa, sua
torcida para que seu time faça uma boa temporada, o tesão que você sente pela ascensorista com ar triste. Suas noites de insônia, essa sinusite que você está desenvolvendo, suas saudades do cigarro. Os planos de voltar à
academia, a grande contabilidade (nem sempre com saldo positivo) dos amores e dos ódios que você angariou e destilou pela vida, as dezenas de pequenos problemas cotidianos que você tinha anotado na agenda para resolver assim que tivesse tempo. Bastou um segundo para que tudo isso fosse desligado. Para que todo esse universo pessoal que tantas vezes lhe pesou toneladas tenha se apagado. Como uma lâmpada que acaba e não volta a acender mais. Fim.
Então, aproveite bem o seu dia. Extraia dele todos os bons sentimentos possíveis. Não deixe nada para depois. Diga o que tem para dizer. Demonstre. Seja você mesmo. Não guarde lixo dentro de casa. Não cultive
amarguras e sofrimentos. Prefira o sorriso. Dê risada de tudo, de si mesmo. Não adie alegrias nem contentamentos nem sabores bons. Seja feliz. Hoje. Amanhã é uma ilusão. Ontem é uma lembrança. No fundo, só existe o hoje.
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Escrito por Paulo Bezerra
11 junho 2009
Os corpos foram trazidos do açude, prenderam Joana na senzala, fizeram o sepultamento das crianças ali mesmo no sitio e os pais e pessoas mais velhas se reuniram para decidir o que fazer com a escrava. As mães não se manifestaram, mas o genro e seus familiares, foram de opinião que Joana fosse amarrada ao tronco, chicoteada sem piedade e depois pendurada nas correntes, próprias para isto, que existiam na senzala, ficando lá, sem alimento e sem água. Mas meu tio-avô, que tinha a última palavra, declarou que não tinha coragem de açoitar a escrava. Decidiu que ela sería vendida sem ser maltratada, para não prejudicar o preço. Todos tiveram que concordar. Ele chamou um mercador de escravos e o incumbiu de levar a peça para o Aracati. No Ceará e vendê-la.
O porto do Aracati, na desembocadura do Rio Jaguaribe, era movimentado pela chegada de navios negreiros vindos da África carregados de negros e de pequenos barcos que faziam o transporte das “mercadorias” para outros Estados. Tinha a praça para o mercado de negros e lá Joana foi negociada. Três contos de reis! Uma fortuna na época, que foi paga sem regateio, pois a escrava tinha as qualidades físicas que preenchia as exigências dos compradores. E até hoje ninguém soube o destino de Joana. Não se soube também se o meu tio-avô salvando a pele de Joana, não cometeu crime maior, deixando sem punição um monstro, livre para cometer mais desses crimes hediondos.
NOTA DA AUTORA
Esta história me foi contada por minha mãe, Carina de Almeida Costa, cuja mãe, (minha vó Idalina), era
irmã do proprietário de Joana. Minha irmã Maria, considerava que Joana não tivesse praticado esses horrores por instinto criminoso e nem por vingança. Devia ser por algum trauma que tivesse afetado sua mente, talvez por lhe terem tomado os filhos, que os amos se encarregavam de “fabricar” para aumentar o número de escravos e que lhes tenham sido arrancados dos braços, sem lhe dar direito de chama-los de filho e nem de ouvi-los chama-la mamãe.
Zenáide de Almeida Costa
Recife – Pe.
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Escrito por Paulo Bezerra
10 junho 2009
A revolta foi grande. As mães gritavam em desespero. As outras pessoas faziam ameaças, as escravas choravam, os pais gemiam de dor! Mas desta vez, Joana estava impassível! Nem choro ou lamentação, as feições contraídas, o corpo estático. Mantinha-se de pé, amarrada com a corda do vaqueiro, esperando seu destino. Meu tio-avô interrogou-a, perguntando se fora ela quem matara as outras crianças, e ela, friamente, confirmou, contando com detalhes como tinha morto cada uma delas: a primeira ela esperou que todos se reunissem no refeitório, tendo o cuidado de observar se não ficara ninguém que pidesse vê-la. Foi ao quarto, tirou a menina dormindo da rede, saiu correndo com ela nos braços escada abaixo e atirou-a no meio de fogueira; a segunda, enquanto todos comiam frutas embaixo das fruteiras, ela se distanciou com o menino e quando todos saíram, trouxe a criança para a beira da cacimba, tirou os chinelinhos dos pés dele, tapou a boca para ele não gritar e atirou-o na cacimba. Ficou esperando que ele afundasse e, de mansinho, se incorporou ao grupo, sem deixar suspeitas; a terceira ela aguardou que se fizesse silêncio na casa. Quando constatou que todos dormiam, foi _a rede do garotinho, acordou-o e treouxe-o pela mão até o quarto de despejo. Lá, pegou o menino nos braços e sem que houvesse tempo para qualquer reação da parte dele, segurou-o pelos pés e mergulhou sua cabeça na tijela de sabão fervendo. A crianã nem gritou e ela segurou as perninhas até ter certeza de que ela estava morta. Saiu sem ser vista e foi para o quarto onde dormiam outros meninos; a quarta, ela observou quando a ama deu alimento à criança e a levou para dormir. Saiu, andou pela sala de jantar onde todos ainda estavam reunidos, para que todos a vissem e sorrateiramente foi lá no quarto, pegou a menininha e saiu por uma porta lateral onde ninguém pudesse vê-la. Chegando ao riacho deitou a menina na beira d”água, enterrou a cabecinha na lama e ficou segurando até que ela moresse; os dois últimos ela os convidou para um passeio e…todos já sabiam o que tinha acontecido. (Continua)
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Escrito por Paulo Bezerra
10 junho 2009
O vaqueiro não perdeu tempo: jogou-se na água com toda aquela roupa de couro e mais um rolo de corda preso à cintura e nadou a toda velocidade para o local. Quando a mulher percebeu que alguém a tinha visto e que vinha a nado até o local, apressou o passo e desapareceu no meio da vegetação. Ela correu muito e como o terreno era bastante acidentado e o pote d/’agua pesado, escondeu-se entre os arbustos, sentou-se numa pedra e ficou aguardando o que aconteceria. O vaqueiro saiu do açude e correu no rumo que a mulher tinha tomado.
Ao avistá-lo ela correu, mas ele foi mais rápido: tirou o rolo de corda da cintura, armou o laço e prendeu a mulher. Quem sería ela? O susto do vaqueiro foi enorme! Era Joana, a escrava predileta, a quem os amos queriam tanto e tratavam com tanto carinho! Ele amarrou-a bem segura pelos braços, deu um laço na cintura dela com a mesma corda e se encaminhou para a casa grande. Meu tio e outras pessoas estavam no alpendre, sentados em redes e conversando, quando avistaram o vaqueiro trazendo Joana amarrada e puxada como se fosse um animal de carga. Levantaram-se todos, meu tio protestando contra aquela atitude do vaqueiro, mas este pediu que tivessem calma e mandou que fossem para à beira do açude pegar os corpos das crianças, que já mortas, haviam afundado quando ele passou por elas. Foram buscar os corpinhos. Eram dois meninos, da mesma idade, oito anos, um de cada casal.
(Continua)
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Escrito por Paulo Bezerra
8 junho 2009
A reunião foi na casa do genro. A casa era quase tão grande como a do outro sítio e logo depois da senzala corria um riacho que na época das chuvas ficava cheio e era aproveitado para a lavagem de roupa, de pratos, etc. Pela manhã, depois do café, estavam todos ainda em torno da mesa quando uma escrava chegou aflita procurando a menina mais nova, filha do meu tio-avô, que ainda não andava, apenas engatinhava, e que ela, a escrava, havia deixado na rede e agora não encontrou. Aí, meu Deus! Todos pensaram logo o pior e vamos procurar a criança! Dentro de casa, com alguém que tivesse saído, nos alpendres, e por fim, saíram buscando pelo quintal, quando viram a bebezinha caída de bruços no riacho. Correram todos, com a esperança de encontrar a menina com vida, mas o rostinho dela estava enterrado na lama e quase coberto d”água e ela morta. Desya vez o mistério foi maior, porque a criança ainda não andava, só podia ter sido levada àquele local. Mas por quem? Quem poderia fazer uma crueldade daquela se todos adoravam as crianças e as escravas se desvelavam por elas tanto quanto os pais? Todos ficaram arrazados e além da dor e aflição por que estavam passando tiveram ainda que cuidar da pobre Joana, que chorava em desespero, tendo que tomar uns chás de ervas, já que ainda não existiam os tranqüilizantes. Nova dor, noivo sofrimento e o enigma terrível enchendo a cabeça de todos.
Os encontros das famílias continuavam e num desses, na casa do meu tio-avô, tinha chegado um vaqueiro trazendo umas reses que o dono da casa havia comprado. O vaqueiro soltou o gado no pasto e todo paramentado de couro, com gibão, perneira, peitoril, luvas e chapéu, montou no cavalo e voltou para suas terras, fazendo o percurso, para encurtar caminho, por cima da parede do açude. Eram mais ou menos duas horas da tarde, quando ele, de cima da parede, ouviu um grito e a pancada de algo pesado que caíra na água e ao se virar, viu lá do outro lado, uma mulher suspender uma criança e joga~la na água, enquanto de repetiam o grito e a pancada do corpo que foi jogado. Imediatamente a mulher pegou um pote, encheu d”água, botou na cabeça e foi se retirando.
(Continua)
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Escrito por Paulo Bezerra
5 junho 2009
Desta vez a reunião foi no sítio do genro. Pela manhã saíram as mulheres com as crianças para o pomar, repleto de frutas e onde existia uma cacimba enorme em diâmetro e profundidade, de cuja água se abastecia a casa. Depois dos banhos, em banheiros improvisados com palhas de coqueiro, perto da cacimba, todos se fartaram de frutas colhidas ali mesmo e voltaram para casa. Ainda no caminho sentiram falta de um menino de cinco anos, filho do casal mais velho. Procuraram no meio do grupo de pessoas, voltaram para o local do banho e l[a se depararam com os chinelinhos do menino na beira da cacimba e boiando na água, o bonezinho que ele levara na cabeça. Nova dor para todos e para Joana também, que chorava como se o filho fosse dela! As famílias em desespero se perguntavam como aquilo podia ter acontecido se estavam todos juntos o tempo todo, achando estranho que o menino tivesse entrado na água sozinho, tendo o cuidado de tirar os chinelos dos pés. Mas nada conseguiram descobrir. Sepultaram o menininho e ficaram chorando sua perda.
Algum tempo depois, questão de meses desta vez no sítio do meu tio-avô, novamente a família se reuniu num fim de semana. Embora todos ainda abalados com as duas tragédias, não faltou ânimo para os passeios, conversas e muita comida. Depois do almoço, bem alimentados, inclusive as crianças, que as escravas tinham o cuidado de botar a comida na boca, os adultos se recolheram nos dormitórios para a sesta, enquanto as babás ninavam e acomodavam as crianças. Hora de voltar para casa, todos se levantaram para as despedidas e a viagem. Sentiram então a falta de um menino, filho do casal mais novo, de seis ou sete anos. A aflição tomou logo conta de todos, pois já viviam apavorados. Corre a casa toda, por dentro e por fora, até que uma pessoa entrando no quarto de despejo encontrou a vriança, só as perninhas de fora da tijela de sabão, mergulhada de cabeça e já morta, enquanto a infusão fervia. Não dava para acreditar! Perguntaram quem havia visto a criança pela última vez, como tinha ido parar naquele local onde a meninada tinha ordem para não entrar. Não havia resposta. Todos sofriam horrivelmente, enquanto Joana tinha crises de choro convulso, aumentando a aflição da família já desolada. O tempo passava, a rotina da família era a mesma
e…mais uns meses, nova ocorrência.
(Continua)
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Escrito por Paulo Bezerra
4 junho 2009
Já perto de terminar a refeição, quando as sobremesas eram servidas, a casa toda se encheu de um cheiro forte de carne assada.
Meu tio perguntou então à esposa por que estavam ainda assando carne, se tinha tanya comida na mesa e todos já estavam fartos. Minha tia respondeu que o cheiro não era da casa grande. Devia vir da senzala, onde os escravos estavam fazendo a festinha deles, pois ela tinha distribuído carnes e lingüiças com todos eles. Terminaram então o jantar e voltaram para a frente da casa. Ao se aproximarem, ouviram os gritos de alguém informando que tinha um porco queimando na fogueira. Os homens correram apressados, armados de varas para retirar o animal, mas constataram que não era um porco, e sim, uma criança! Houve exclamações de espanto e horror e as mães procuraram logo juntar os filhos para ver se não era nenhum deles, quando alguém se lembrou da criança mais nova. Joana, que cuidava dela, informou que tinha deitado a menina e ninado até ela adormecer. A mãe, porém, foi até o quarto da criança e encontrou a rede vazia. Corre todo mundo, louco de aflição, para ver se a menina estava com alguém, mas foi confirmado que era mesmo a menininha, quem tinha caído na fogueira. A esta altura, Joana já estava em prantos, tanto quanto os pais da criança. Procuraram com mil perguntas, descobrir como aquela criaturinha tão pequena e ainda mal sabendo andar, tinha saído da rede, feito a caminhada, inclusive descendo a calçada e chegando até a fogueira. Tentaram achar algum rastro, mas, tanto pela correria das pessoas que se aproximaram da fogueira, como pelas cascas e bagaços de cana, que cobriam o chão, foi impossível encontrar qualquer sinal. A festa terminou abtes da hora. As famílias se recolheram procurardo esquecer a dor, até que algum tempo mais tarde foi surpreendida por outro golpe.
(CONTINUA)
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Escrito por Paulo Bezerra
3 junho 2009
Naquele ano, de bom inverno e muita fartura, chegou o São João e logo pela manhã vieram a filha e o esposo para a casa dos pais, trazendo seis crianças, que se juntaram a outras seis dos donos da casa, entre elas uma menina de um ano e oito meses que há pouco tempo tinha começado a dar os primeiros passos. Todos foram acomodados na casa, que era enorme, com uma cozinha muito grande onde estava instalado o fogão de lenha, com o respectivo forno para assar bolos e carnes; quarto de despejo com espaço suficiente para engomar roupa e produzir sabão (sob uma trempe de pedra, uma tijela de barro cheia com água, soda cáustica, sebo ou vísceras dos bois e porcos que matavam, o fogo permanentemente aceso e a mistura fervendo); quartos ( dormitórios ) grandes, onde podiam ser acomodadas várias pessoas; salas, salões e terraços (alpendres), rodeando a casa toda, que foi construída numa elevação, tendo uma enorme calçada e escadaria de pedra para subida e descida na parte da frente. Ao cair da tarde a família toda se reuniu no alpendre para assistir a fogueira ser acesa e ali, na maior alegria, moças e rapazes fazerem as adivinhações e outras brincadeiras, enquanto os escravos descascavam cana e distribuíam com todos, aguardando que se fizesse brasa para assar o milho. Às sete horas, as famílias e os convidados dirigiram-se para a sala de jantar, onde estava servida a ceia numa mesa grande, coberta dos mais variados quitutes, esperando por todos.
(CONTINUA)
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Escrito por Paulo Bezerra